A Verdade que Compramos

27 08 2010

Olá.

Hoje eu ouvi o podcast do Jovem Nerd sobre o filme Inception (A Origem) [link] onde os personagens debatem sobre as impressões sobre o filme, mas abordam mais ainda as teorias possíveis e prováveis para entender o funcionamento deste extraordinário filme. Mas aqui neste Post a minha intenção não é abordar sobre esta produção (pois irei fazer isso em um outro momento) e há um outro podcast muito bom sobre o assunto, chamado SOS Cast [link]. Indico que escutem.

Bem, um ponto interessante sobre o filme e umas polêmicas que criei durante grande parte da minha vida. Não entender o limite real entre o sonho e o imaginário e isso me levou a questionar a muitas pessoas se elas conseguiram de alguma forma morrer no sonho, mas não apenas morte e sim perca total de consciência e o fim de uma existência. Até agora já devo ter perguntado a mais de 200 pessoas e ninguém me respondeu esta questão afirmando morte total, o que me levou a acreditar que a morte total no sonho é a morte total no corpo físico.

Veja bem, usei o termo corpo físico para não delimitar realidade ou mundo real, esse detalhe é crucial no debate deste artigo. Outra coisa interessante de se pensar é até que ponto você pode medir a realidade por meio do que você sente ou diz ter certeza? Será essa a verdade pura de que você está vivo? E a isso eu sempre lembro de duas coisas singulares. Teoria dos Multiversos (aqui tem um link de 3 vídeos bem interessantes) e a série FRINGE.

O futuro e o passado são entendidos segundo panoramas e leis compreendidas por nós, mas isto não garante certeza de que esses espaços de tempo e o próprio espaço como um fator real irrefutável. A idéia aqui não é dar certeza, mesmo porque ninguém nunca será capaz de terminar um assunto ou completar uma idéia, veja bem, estou questionando a verdade e a mentira como conceito bem como o real e o irreal, a linguagem e o simbólico. No entanto, não irei dar uma impressão fixa, pois é o leitor quem deve julgar segundo sua realidade e esse julgamento (saiba desde já) será uma impressão da verdade, mas jamais A verdade.

Um fato interessante é que vivemos comprando a realidade, tentamos entender o mundo à nossa volta e esse entendimento é baseado no mundo que precisamos compreender, ou seja, usamos algo não factível para entender e dialogar com coisas factíveis e palpáveis (até certo ponto), que para ilustrar podemos dizer que pintamos o nosso mundo a partir do nada e para o nada ao qual necessitamos ter uma “obra de arte”.

As mídias, a sociedade, as pessoas, a geografia, etc. tudo isso nos remete a compreender (ler-se comprar) uma realidade, acreditar que esta vida é real, verdadeira e que questionar este sistema está além do concreto e sim está no mundo lúdico ou onírico, mas será mesmo assim? Porém estas impressões, se aceitas como nos são impostas, levaram o sujeito a acomodar-se em sua esfera pessoal, que o levará diretamente à reproduzir este modelo e transformá-lo em um defensor e reprodutor destes conceitos, portanto um fanático sem saber .

“Trata-se de uma substituição no real dos signos do real, isto é, de uma operação de dissuasão de todo o processo real pelo seu duplo operatório, máquina sinalética metaestável, programática, impecável, que oferece todos os signos do real e lhes curto-circuita todas as peripécias. O real nunca mais terá oportunidade de se produzir – tal é a função vital do modelo num sistema de morte, ou antes de ressurreição antecipada que não deixa já qualquer hipótese ao próprio acontecimento da morte. Hiper-real, doravante ao abrigo do imaginético, não deixando lugar senão à recorrência orbital dos modelos e à geração simulada das diferenças”
BAUDRILLARD (1991, p.9)

Por hoje é só isso, mas provavelmente retomarei este debate em um outro momento.
Abraço a todos
DICA: Assistam Inception (A Origem) o quanto antes! (para quem ainda não assistiu, não compre DVD pirata, vá ao Cinema)
Até..

Referências/Créditos

BAUDRILLARD, Jean. Simulacro e Simulação. Lisboa: Relógio D’Água. 1991

Jovem Nerd – NerdCast

SOS Hollywood – SOS Cast 18

Saindo da Matrix

imagem- http://3.bp.blogspot.com/_Fai8-gDjYc4/S8yfox1xwSI/AAAAAAAAAfo/hyQz0l6JnEY/s320/Multiversos2.bmp





Politicamente Correto e a Mediocridade Social

25 08 2010

Olá,

No dia 24/08/2010 eu assisti um programa na MTV chamado Lobotomia com o Lobão, onde ele entrevistou o Rafinha Bastos (humorista) com muitos assuntos em debate, mas o que mais me chamou a atenção foi o tópico sobre tema bem específico.

O politicamente correto está ligado ao discurso do neutro, o encontro da neutralidade na linguagem e na forma de expressão humana visando não ofender ou atacar ninguém ou nenhum grupo social. Mas veja bem, essa necessidade de ser o mediador da paz traz severas consequências as pessoas e elas nem conseguem perceber esta realidade.

A defesa da opinião neutra se mostra uma decisão inteligente de se tomar perante uma sociedade tão defensiva e “medrosa” quanto a esta que estamos vivenciando, tal sociedade é hoje mediada por relações intangíveis que são transformadas ou transfiguradas de uma pseudo-tangibilidade, sendo assim você cria um ambiente sem bases sólidas e, portanto sem consistência para suportar críticas ou opiniões diversas sem pensar em atacá-las.

Fiquei pensando durante a entrevista e as pessoas do programa Lobotomia se questionaram sobre o fato de que no momento em que não é possível satirizar ou demonstrar uma opinião crítica sobre um assunto, pessoa ou grupo social você acaba por transformar em uma paranóia cada palavra que a pessoa irá pronunciar, visto que, se a pessoa não seguir as diretrizes de uma opinião politicamente responsável ela irá sofrer severas sanções por meio da justiça. Fato este que cresce em muito o stress das pessoas, pois a liberdade de expressão lhes é cerceada e porque não pensar em um crescimento da violência nesse sentido?

Então, por hora é só, mas quando tiver um pouco mais de tempo irei preparar um material sobre esse assunto que eu particularmente gosto muito de debater.

Muito Obrigado

Até…

Referências:
-BAUDRILLARD, Jean. Simulacro e Simulação. Lisboa: Relógio D`Água. 1991

-imagem: http://1.bp.blogspot.com/_WXnv5IEpRIg/S-ek9aZaoFI/AAAAAAAAF24/R9PHgjfeX4E/s400/Verdade.jpg








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